domingo, 26 de fevereiro de 2017

About Fortune / Sobre sorte (ou fortuna)



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Cláudio Teixeira, Alice Teixeira (sua filha) e Bernardo
Bernardo Trotta, membro bem novo do Ving Tsun Experience, foi ao Mo Gun inesperadamente na última quinta. Ele não iria praticar, a princípio, mas como foi ao café da manhã com Mestre Júlio Camacho daquela quinta, acabou seguindo para o Núcleo Barra conosco.


Em várias situações presenciei meu mestre falando sobre sorte. O que eu entendi desses momentos é que sorte é acaso. Nossas vidas são uma série de eventos que se seguem. Em cada um há um potencial, bom, ruim, muito bom ou desastrosamente ruim.


No Ving Tsun Experience, há uma aula de coroamento (onde o praticante propõe livremente um tema a ser estudado) ao final de cada módulo. Por ter praticado na quinta, o coroamento de Bernardo foi adiantado para o sábado seguinte. Fiquei bem surpreendido quando ele me disse que gostaria de falar sobre os Kuen Kuit do Ving Tsun.






Os 51 selos que Patriarca Moy Yat fez. Cada selo é um Kuen Kuit.
O pôster é uma iniciativa do Mestre Leonardo Mordente.
Acontece que eu quero estudar os Kuen Kuit desde que comecei a praticar Ving Tsun. Lembro de ter falado com mestre Júlio sobre isso algumas vezes. Por algum motivo nunca me debrucei sobre isso com a profundidade que desejava. Sempre havia algo pra fazer e meu mestre não parecia tão aberto quanto eu gostaria. Em algum momento foquei em outras coisas e me esqueci disso.

Fiquei feliz quando mestre Júlio aceitou minha proposição de ele dar essa aula ao Bernardo e a todos que estivesse presentes. Nesse ano ele está muito aberto a transmitir conhecimento e o momento não poderia ser melhor! No sábado dois praticantes que estavam afastados retornaram. Os dois me disseram, ao final da manhã, sobre a sorte de estar lá naquele dia, embora não tivessem ido por causa dos Kuen Kuit.  



Como disse, jamais havia visto meu mestre tão aberto Estamos gravando semanalmente demonstrações com ele. Você pode assistir em Fragmentos do Ving Tsun.

Para mim, pessoalmente, foi um momento muito especial. Além de retomar meu projeto de estudar o trabalho de Patriarca Moy Yat, vejo como essa primeira conversa pode se desdobrar em uma série de eventos para o Núcleo Barra. Já estou planejando para 2017 uma palestra sobre cada ancestral de nossa linhagem em nossa escola.



Mestre Júlio falando sobre o selo de cada ancestral.
Descobri com o tempo que um mestre de kung fu não pode ensinar como um professor de escola, ele deve aguardar o momento oportuno. Já o estudante, no kung fu, deve criar o cenário para que ele aprenda. Quanto mais rico for esse cenário, maior a tendência de que surja um momento oportuno. Não adianta ter sorte se não estivermos atentos a como aproveitar-la.



"Não sabemos se a pessoa ao nosso lado se tornará o próximo Ip Man", ouvi isso de meu mestre várias vezes. Penso nisso a cada vez que faço uma apresentação a um interessado e pensei quando apresentei nossa escola ao Bernardo. Não sei ele será o praticante que fará a diferença para o Ving Tsun, se será um dos afastados que retornaram no sábado ou alguém que nem estava naquela sala. Mas me alegra muito ver esse grande potencial saído de uma proposição de alguém que é membro há duas semanas. Que bom que o João, que nem aparece nessa história, indicou o Núcleo ao Bernardo! Que bom que dei aquela inesperada aula a ele naquela quinta! E que bom que ele foi ao café com Mestre Júlio Camacho!